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Projeto de geografia
Projeto de geografia

Projeto Ensino Fundamental II

Qualidade de vida nas cidades: como aferir?

Bloco de conteúdo
Territorialidades e Temporalidades

Conteúdo
O Urbano

Introdução
"Rio, 40 graus / Cidade maravilha / Purgatório da beleza e do caos." Assim inicia a canção elaborada por Fernanda Abreu, cantora e compositora carioca. Mais adiante, a letra traz a seguinte passagem: "Capital do sangue quente / Do melhor e do pior / Do Brasil." O título da canção – Rio, 40 graus – é o mesmo do filme de Nelson Pereira dos Santos, que inovou na linguagem e na temática na época em que foi produzida, no ano 1955. A obra de Nelson, que influenciaria uma geração de cineastas do Cinema Novo, entre eles Glauber Rocha, conta a história de cinco garotos vendedores de amendoim em seu percurso pela cidade, apresentando situações no "morro" e no "asfalto".

Por que a compositora afirma que o Rio de Janeiro traz o melhor e o pior do Brasil? Há muitas respostas, mas certamente podemos considerar entre elas que a Cidade Maravilhosa ficou conhecida, de um lado, por sua singular beleza: um ambiente de maciços cristalinos entremeados por inúmeras praias à entrada de uma baía, onde se ergueu a segunda metrópole brasileira; nos morros, barracos, casebres e casas de alvenaria terminadas nos finais de semana; no asfalto, edifícios cercando o mar. Mas assim como outras cidades brasileiras, o Rio de Janeiro vive um cotidiano em que se combinam, entre outros problemas, a falta de saneamento básico e moradias dignas para todos, precariedade dos transportes coletivos, congestionamentos, segregação espacial e um permanente clima de insegurança e violência em zonas da cidade – atingindo especialmente os mais pobres.

Esse quadro indica um tema interessante e bastante relevante para um projeto coletivo de trabalho na escola: como medir e avaliar a qualidade ou condições de vida nas cidades brasileiras? Sob quais critérios? Existe um único entendimento do que seja qualidade de vida, extensivo a todos? O que se espera que uma cidade deva oferecer aos seus habitantes?

A relevância do tema vincula-se também ao ritmo e estrutura da urbanização brasileira referida aqui ao aumento da população urbana e a expansão ou crescimento de cidades (o que não esgota as concepções de urbanização; esta pode ser entendida também como a expansão do modo de vida urbano para além dos limites da cidade). Segundo dados da PNAD 2007 (ano-base 2006), o país conta hoje com 83% de sua população vivendo em cidades, algo em torno de 140 milhões de habitantes.

O Censo demográfico de 1940, realizado pelo IBGE, o primeiro a fazer a distinção entre população rural e urbana, registrou que apenas 1/3 da população nacional vivia em cidades no período. Portanto, a maior parte dos brasileiros passou a experimentar diariamente a "dor" e a "delícia" de viver na cidade.

Entre outras perspectivas, a idéia de urbanidade oferece uma ferramenta para refletir sobre a vida nos núcleos urbanos. Antes de tudo, é preciso fazer algumas considerações sobre a cidade. Conforme o geógrafo francês Jacques Lévy, ela é um objeto essencialmente geográfico marcado pela conjunção de diversidade e densidade e concentração de pessoas e atividades. Ela foi criada em praticamente todas as sociedades humanas para superar ou eliminar as distâncias espaciais e permitir as interações sociais. Elas se constituíram, assim, no berço principal da filosofia, da política, das ciências e das artes. Trata-se de um ambiente de evidente artificialidade, uma obra humana por excelência.

Assim, a urbanidade refere-se ao que a cidade deve ser e deve ter. Portanto, deve ser avaliada em relação ao que ela pode oferecer, tal como ela é, e não em relação ao que não é próprio dela. Uma cidade com bom potencial de urbanidade reúne um grande número de pessoas com diversidade de tipos, o que propicia relações sociais múltiplas e diversificadas (contrariando concepções do planejamento urbano moderno, que buscavam, ao contrário, a homogeneidade social). Além disso, a idéia de urbanidade assinala que uma cidade deve, antes de tudo, assegurar a todos os seus moradores o acesso aos recursos disponíveis. Isso começa pela existência de um bom sistema de mobilidade e existência de espaços públicos. Como ressalta o recente estudo do Fundo de População da ONU, "O estado da população urbana mundial em 2007", trata-se de resguardar o direito à cidade que todos têm, inclusive os recém-chegados.

Essa proposta de projeto didático tem o objetivo de oferecer aos estudantes instrumentos e critérios para que possam avaliar as condições ou qualidade de vida nas cidades e propor soluções e alternativas. Nesse sentido, a cidade em que vivem será o laboratório principal para desenvolver um projeto dessa natureza.

a) Utilizar recursos da leitura, escrita, observação e registro em diferentes linguagens em procedimentos de pesquisa.

b) Construir e organizar critérios de avaliação da qualidade ou condições de vida em cidades utilizando quadros-síntese, textos ou esquemas gráficos.

c) Compreender e avaliar processos de organização do espaço da cidade por meio de pesquisas, entrevistas e leitura e produção de textos e imagens.

Conteúdos
- Cidade
- Urbanização
- Urbanidade
- Qualidade de vida

Ano
8º e 9º

Tempo estimado
Variável

Material necessário
Textos e esquema em anexo

Desenvolvimento das atividades
1ª etapa Para organizar um projeto de trabalho na escola, o ponto de partida é a escolha do tema. O tema pode proceder de um fato da atualidade, de uma experiência comum, de um episódio ocorrido na escola, pode pertencer ao currículo oficial ou surgir a partir de uma proposição inicial do professor. Em geral, para proceder a essa escolha, os alunos partem do que já sabem, de suas experiências anteriores, de outros projetos já realizados na escola. Alunos e professor deverão se interrogar a respeito de sua relevância, interesse e se efetivamente atende às necessidades de aprendizagem da turma.

Dessa forma, é decisiva para a realização do projeto a participação dos estudantes na definição do tema, focos, metodologias e planejamento das etapas (ver quadro-síntese em anexo), mesmo que a idéia inicial tenha surgido de outras fontes.Proponha que os estudantes reflitam em torno da questão da cidade, de sua qualidade de vida e da extensão dos eventuais benefícios da vida urbana a todos os habitantes. Para uma sensibilização inicial, você pode propor que os estudantes coletem, selecionem e organizem letras de canções sobre a cidade criadas por artistas brasileiros. A turma pode promover uma audição das canções selecionadas e debater perspectivas e focos para o projeto a partir delas (ver sugestões em anexo). Esse trabalho pode ser feito também com notícias, frases sobre cidades e vida urbana ou textos de apoio. É essencial finalizar essa etapa com uma questão ou conjunto de questões e hipóteses que deverão nortear o projeto e serem respondidas por ele, além de permitir a elaboração de objetivos gerais e específicos.

2ª etapa Definido o tema geral, é preciso definir o que os estudantes já sabem e o que precisam saber para a consecução do projeto. Trata-se de uma avaliação diagnóstica inicial no âmbito do projeto, que dará a partida para criar seqüências e ordenar os conteúdos, definindo quais as principais fontes de informação a serem buscadas. Nesse momento, pode-se definir a abrangência do projeto e quais sub-temas, processos e conceitos ele vai envolver no seu percurso de realização, cabendo aqui ao professor um importante papel na definição dos principais conteúdos e procedimentos.

O que pode ser verificado para avaliar a qualidade de vida da cidade? Considere em primeiro lugar que as cidades são espaços construídos sobre uma base natural em que podem aparecer morros, fundos de vale, cursos d’água, solos e coberturas vegetais. Uma cidade em que os solos estão impermeabilizados, por exemplo, está sujeita a enchentes, face à dificuldade de infiltração e ao aumento do escoamento superficial da água.

Um segundo quesito diz respeito ao ambiente construído, envolvendo as edificações e seus usos, as atividades econômicas e as infra-estruturas (redes técnicas de água, energia, saneamento) e serviços urbanos (coleta de lixo, transportes, varrição e limpeza de ruas etc.). Especial atenção deve ser dada ao sistema viário, aferindo as condições e funcionamento do transporte coletivo, organização da malha viária, o peso da circulação de automóveis individuais, existência ou não de alternativas de deslocamento (ciclovias, passeios e caminhos para marcha pedestre etc.).

Outro dado imprescindível é a existência de espaços públicos de acesso irrestrito, que pode ser utilizado pelos moradores. Neles, é importante verificar a disponibilidade de equipamentos (como brinquedos para crianças) e serviços. As cidades podem ser avaliadas em sua condição estética (por exemplo, se há poluição visual, preservação de fachadas e outros) e se os ambientes são aprazíveis, convidando ao convívio social. Do mesmo modo, pode-se verificar se há diversidade ou homogeneidade social. É importante atentar aqui para o zoneamento da cidade, que normalmente restringe alguns usos e pode provocar verdadeiros "desertos" urbanos (zonas comerciais com muito movimento durante o dia e desertas à noite, ou bolsões residenciais com pouco movimento durante o dia).

Apresente esse conjunto de pontos aos estudantes e proponha que eles discutam e ampliem com outras sugestões. Eles poderão também criar indicadores, definindo uma escala de valoração das condições em que se encontram as edificações, infra-estruturas e equipamentos urbanos.

3ª etapa Uma vez organizados os campos para pesquisa e investigação, é importante definir responsabilidades individuais e coletivas para a coleta, seleção e tratamento das informações. É fundamental definir também de antemão o que deverá ser obtido por meio de pesquisas em livros, revistas especializadas, bancos de dados e documentos oficiais (tais como plantas e planos diretores do município) o que vai ser obtido em trabalhos de campo, com entrevistas, sondagens e visitas a órgãos públicos e outra instituições. Deve-se garantir tempos e espaços na sala de aula, biblioteca e laboratório de informática da escola para a organização e tratamento das informações. Vale a pena também detalhar quais serão as formas de registro utilizadas, como anotações (que podem ser feitas em planilhas ou quadros), gravação de voz ou filmagens. A organização desta etapa deve ser feita previamente, de modo a garantir os recursos técnicos e humanos necessários.

4ª e 5ª etapas Estas são as últimas etapas, momento de planejar os produtos finais, a apresentação dos resultados e a avaliação geral do projeto, enfocando um balanço, propostas e alternativas para a melhoria da qualidade de vida e dos níveis de urbanidade na cidade.

Os produtos finais poderão ser preparados preliminarmente nas etapas anteriores. Por exemplo, recolhendo material áudio-visual para a elaboração de vídeos ou transparências, ou organizando informações em quadros, mapas, gráficos e tabelas que irão compor um documento escrito. Havendo possibilidade, os documentos áudio-visuais podem ser produzidos em programas especiais no laboratório de informática. Um relatório ou texto dissertativo do projeto deve contar com uma estrutura que contenha título, introdução, justificativa, objetivos, metodologias, resultados e conclusões e referências bibliográficas.

Combine com os estudantes a forma de apresentação dos resultados, que podem envolver etapas com a própria turma e depois para grupos de turmas ou para toda a escola. Documentos, equipamentos, materiais, tempos e espaços para apresentações públicas devem ser organizados ou preparados previamente.

Avaliação
A avaliação final e auto-avaliação devem levar em conta os objetivos estabelecidos para o projeto e os processos e produtos com os quais os alunos estiveram envolvidos. Para tanto, podem ser organizadas sessões coletivas com toda a turma, retomando as etapas, os resultados e a participação e envolvimento dos estudantes. É importante que eles possam expressar livremente suas opiniões sobre o percurso percorrido.

Para a avaliação de cada estudante, leve em conta as aprendizagens ocorridas ao longo do processo e toda a produção individual e coletiva no âmbito do projeto. Contam aqui os processos e os produtos e resultados. Se necessário, prepare avaliações individuais após o balanço final do trabalho desenvolvido.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA

- Como usar a música na sala de aula, de Martins Ferreira. Contexto, 2002.

- Olhar geográfico, de Fernanda P. Fonseca et al. IBEP, 2007 (Vol. 7 – A vida nas cidades).

- A cidade e o urbano no mundo atual, de Roberto Giansanti. Global, 2004 (Viver, Aprender).

 O modo de vida no meu bairro ou na minha cidade

Bloco de conteúdo
Paisagem Local

Conteúdo
Modos de Vida

Introdução
Depois que uma criança faz, digamos, 5 ou 6 anos, se ela ainda não vai à escola, deve ir. Em nossa sociedade, trata-se de um direito da criança e uma obrigação dos pais ou dos adultos responsáveis. O trabalho infantil é proibido. Um jovem com mais de 18 anos, se ainda não estiver estudando, deverá procurar um emprego e deverá se inserir no processo produtivo de nossa sociedade. Por vezes, mesmo ainda estudando, nessa época de sua vida, ele também trabalharará.

A vida, para nós, segue um rumo conhecido: na idade adulta as pessoas poderão constituir famílias ou não. Em geral constituem-na e continuam mantendo relações com a sua família de origem (pais, irmãos, tios, primos, avós). Onde as pessoas trabalhararão? Há muitas possibilidades, mas em geral procuramos empregos em empresas que possuem donos, que, por sua vez, ao contratar um trabalhador, devem respeitar leis. Trabalhadores recebem salários sustentam suas vidas, pagam aluguel ou compram casas, compram alimentos, sustentam seus filhos etc.

Vivemos, a maioria de nós, em cidades, em países que possuem governantes, que decidem e realizam ações que interferem na vida social e econômica. Em sociedades democráticas, esses governantes foram eleitos para fazer o que fazem, desde que dentro das leis, dentro de regras.

Leis, regras, direitos, obrigações, rumos de vida, passagem da vida infantil e da adolescência para a idade adulta, a busca do emprego, as formas de sustentação material, o processo produtivo, o patrão que emprega e obtém lucros, a ação do Estado... Em nosso mundo, o funcionamento disso tudo segue um certo padrão, que se reproduz ao longo do tempo. Mas será que era assim há 200 anos? Será que é assim em todas as partes do mundo, com todos os povos? Não, não era e não é sempre assim! Nós somos assim, esse é o nosso modo de vida, o modo de vida das sociedades contemporâneas, o modo de vida dominante no Brasil, que não necessariamente está presente em todo o território. Será que podemos construir uma descrição do modo de vida presente em nossas vidas a partir de elementos que a paisagem local de um bairro de nossa cidade apresenta? É justamente isso que será explorado nesta seqüência.

Objetivos
- Contribuir para a construção da percepção do modo de vida, com base em elementos presentes na paisagem local.
- Trabalhar a competência de percepção das escalas geográficas dos fenômenos que se expressam na paisagem local, mas que possuem outra abrangência.

Espera-se como desdobramento desse plano de aula que as seguintes expectativas de aprendizagem sejam alcançadas:
- que os estudantes consigam progredir no processo de descentração espacial percebendo que seu modo de vida e sua paisagem podem se reproduzir para além de sua realidade geográfica local;
- que os alunos percebam que no espaço local se estruturam elementos geográficos que indicam o modo de vida da sociedade;
- que notem na paisagem local as marcas do modo de vida, mas também percebam que vários dos elementos estão presentes para além do seu lugar, o que indica que os modos de vida se estendem para além dos bairros, das cidades, para além da escala local.

Conteúdos específicos
- Modo de vida
- Espaço humano e paisagem local
- Escala dos fenômenos humanos
- Escala geográfica dos modos de vida

Ano
3º ou 4º

Tempo estimado
2 aulas

Material necessário
Atlas Geográfico, fonte para mapas do Brasil que tenham reservas indígenas demarcadas; fotografias áreas indígenas; fotografias da paisagem de outras cidades do Brasil e do mundo, de outros bairros.

Desenvolvimento
1ª aula Comece provocando um contraste entre o nosso modo de vida e outro bem diferente, digamos, o de um agrupamento indígena brasileiro. Não é preciso ser especialista em grupos indígenas. Basta assinalar para os estudantes o que há de mais evidente. A seguir um pequeno roteiro:

Ver o espaço de outro modo vida
Inicialmente ofereça aos alunos um mapa do Brasil, ou algum regional, com as áreas indígenas demarcadas. Esse mapa deve ser comparado com outro que mostre as características atuais do espaço brasileiro. Mostre aos alunos que as áreas indígenas estão pouco transformadas: não há cidades, não há infra-estrutura moderna, mas há florestas, rios etc.

Além dos mapas (que são necessários como um exercício que introduz as representações cartográficas) mostre às crianças fotografias de áreas indígenas, dos aldeamentos e das paisagens locais desses lugares. O objetivo é o mesmo: que eles notem as características dominantes das paisagens locais com as quais os grupos indígenas se relacionam. Que notem o quanto essas paisagens são distintas das paisagens costumeiras da maioria dos brasileiros.

A seguir, proponha que os estudantes reflitam sobre o modo de vida indígena. Abra uma reflexão com a seguinte pergunta: como eles fazem para sobreviver em termos materiais, como se alimentam? Lançada a pergunta, organize uma lista de respostas. É provável, considerando o que os alunos já tenham ouvido falar nessa idade, que eles venham se referir à caça, à pesca, à coleta de frutos e raízes na mata, a alguma agricultura. Outra questão pode se referir às crianças: elas vão à escola? Elas vão aprender profissões diferentes da dos pais? Quais são as profissões dos pais? São diferentes entre si? Todas as respostas, por mais diversas, possivelmente terão algo em comum: os estudantes não vão afirmar que as coisas se dão numa tribo indígena do mesmo modo como se dão em nossa sociedade. Aliás, deve-se zelar para que se chegue a esse entendimento. O importante é que essas perguntas os ajudem a notar que se trata de um outro modo de vida.

O modo de vida e a paisagem local
O que fazem mesmo os indígenas adultos para sobreviver? Caçam, pescam e coletam. Caso um grupo indígena viva dessa maneira, como é a paisagem do seu lugar? Faz sentido que eles pratiquem esse modo de vida e ao mesmo tempo derrubem as florestas? Ou eles precisam que suas áreas sejam florestadas para preservar o hábitat dos animais que serão caçados? E os rios e lagos podem ser poluídos ou transformados em outra coisa? Não, de um modo geral, as condições naturais, a natureza como ela era, deve ser preservada. Não fica claro que a paisagem do espaço de um grupo indígena tem características marcantemente naturais, porque isso se harmoniza com o modo de vida indígena? Que outras relações podem ser identificadas entre as paisagens dos aldeamentos indígenas e o modo de vida ali estabelecido? Tudo o que for notado será importante. E uma questão para o final dessa aula: tudo isso não é muito diferente do nosso modo de vida? Essa paisagem também não é muito diferente da nossa?

2ª aula Dirija o olhar dos estudantes para o nosso modo de vida e exercite com eles uma comparação com o modo de vida indígena trabalhado na primeira aula. Um comentário importante como elemento de desenvolvimento cognitivo, como elemento que contribui para construção de competências intelectuais: para se comparar o modo de vida indígena com o nosso é preciso que se usem os mesmos critérios de comparação, caso contrário, não será válida.

Abaixo, um quadro dos critérios e métodos utilizados para analisar o modo de vida indígena. No quadro, aparece o que se concluiu sobre os grupos indígenas e também o que se pode concluir sobre as sociedades modernas. Coloque na lousa, dialogue com os estudantes e vá preenchendo com a participação de todos. Se achar mais adequado, organize os estudantes em grupos e inicialmente peça a eles que tente preenchê-lo, para que depois se faça a compilação de um só quadro, coletivo.

Comparação dos modos de vida indígena x sociedade moderna

 

Critérios

Indígena

Sociedade moderna

Ver o espaço do outro modo de vida, utilizando mapas.

Reservas indígenas em áreas de baixa urbanização, com pouca infra-estrutura moderna, com presença grande de cobertura vegetal.

Áreas com concentração de muita gente; com cidades, com presença de infra-estruturas modernas (estradas, portos, sistemas de comunicação etc.).

Ver o espaço de outro modo de vida, utilizando fotos.

Fotos mostrando aldeamentos pequenos construídos com materiais coletados na floresta, mostrando áreas florestadas no entorno etc. Paisagem natural (pouco modificado pelo homem).

Fotos mostrando concentração de edifícios; edifícios diferentes; mostrando concentração de infra-estruturas; concentração de gente; paisagem artificial (feita pelo homem)

Perceber a existência de outro modo de vida, questionando.

Para se alimentar os indígenas caçam e pescam; as crianças aprendem a serem adultos sem ir à escola; não há profissões distintas, todos os membros do grupo fazem a mesma coisa.

Para se alimentar os membros da sociedade moderna se incluem num sistema produtivo complexo, cheio de partes; as crianças vão à escola, aprendem novas profissões; os pais têm profissões variadas.

Modo de vida e paisagem local

Paisagem local pouco alterada; formações naturais como meio da prática da caça, da pesca etc.

Paisagens artificiais, construídas pelo ser humano, presença de residências, presença de estabelecimentos comerciais, de edifícios escolares, de fábricas, de campos agrícolas, de infra-estruturas de transportes, etc.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Não é necessário que se chegue a uma análise muito detalhada. O importante é que os alunos notem que modos de vida diversos implicam em paisagens diferentes: cada modo de vida → paisagem própria.

3ª aula Como conclusão desse plano de aula, um outro nível de comparação entre o modo de vida indígena com o modo de vida moderno (o nosso modo de vida) pode ser feito. E ele é de crucial importância. Diz respeito à escala geográfica de alguns fenômenos que marcam muito as paisagens locais.

Selecione algumas fotos de lugares diferentes do mundo. De cidades diferentes, por exemplo. A idéia é pedir para que os estudantes, em grupo de até 4 alunos, comparem uma foto do seu bairro ou de sua cidade com a de outra cidade qualquer do mundo (comparar fotos é comparar paisagens). A mesma atividade pode ser feita com paisagens rurais. Pode-se pedir que ponham a atenção em alguns aspectos:

a) na concentração do casario;
b) na organização do sistema viário (ruas, avenidas);
c) na presença de elementos da vida econômica (comércio, fábricas, escritórios);
d) na presença de edifícios de órgãos públicos e de serviços (sedes de governo, hospitais, escolas etc.).

O ideal seria que um grupo procurasse na foto da paisagem local (do bairro e da cidade) esses elementos e os descrevesse. Um outro grupo ficaria com a análise da foto de uma outra cidade (do Brasil). Outro, com uma cidade de um país da América do Sul. A idéia é que se varie bastante. Como poderia ser a descrição? Bem simples: estamos vendo casas baixas, casas pequenas, edifícios em altura, uma lanchonete etc.

O efeito que se espera é que os alunos terminem percebendo que as paisagens das diferentes cidades têm todas as marcas nas suas paisagens do mesmo modo de vida que o nosso. Que, de certo modo, em termos gerais, a nossa paisagem local se repete em várias localidades do mundo. O nosso modo de vida tem uma escala geográfica maior do que nossa realidade local. É sempre importante dar acesso ao mundo à criança no início de sua escolarização e indicar que certas coisas vão para além de seu espaço. É fundamental essa descentração espacial, uma ampliação da visão de espaço que é ao mesmo tempo uma ampliação cognitiva.

Comparando-se com o modo de vida indígena quantas realidades como as das áreas indígenas no Brasil existem? Quantos grupos sociais praticam aquele mesmo modo de vida? É algo parecido com o nosso que se espalha pelo mundo?

Avaliação
Nesse ciclo da escolarização já ficou estabelecido que a avaliação se dá no processo. Várias atividades sugeridas nesse plano de aula vão permitir isso. O importante é ter claro quais devem ser as expectativas de aprendizagem. A mais geral e fundamental é a questão da descentração espacial. Não é algo que se constrói num único plano de aula, ao contrário é uma construção lenta e paciente, mas é preciso avaliar o progresso dessa aquisição.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
A cartografia escolar, Rosangela Doin de Almeida (Org). São Paulo, Contexto, 2007, 224 págs.
A questão indígena na sala de aula: subsídios para professores de 1º e 2º graus, Aracy Lopes da Silva (Org). São Paulo, Brasiliense, 1987, 253 págs. 

Rural e urbano: diferentes na paisagem, mas cada vez mais misturados

Bloco de conteúdo
Paisagens Urbanas e Rurais

Conteúdo
Organizações Políticas

Introdução
A paisagem é um conceito na geografia contemporânea que se convencionou definir como “o visível do espaço geográfico”. Assim não é o espaço integralmente, pois nesse há conteúdos, funções e significados que não são visualmente identificáveis e só o são por outros meios. Nesse segmento escolar o tema da paisagem é muito presente justamente para sua concretude, por sua palpabilidade para a criança. Embora a paisagem é uma expressão apenas das realidades geográficas ela pode ser é um meio de acesso à leitura do espaço, para se compreender fenômenos sociais e naturais.

Esse raciocínio pode fazer sentido quando as referências são as paisagens urbanas e as paisagens rurais. Visualmente bem distintas, suas imagens podem servir de caminho para a distinção dos modos de vida, dos hábitos culturais, dos processos econômicos, das condições ambientais, tudo muito importante no desenvolvimento cognitivo da criança.
Nesse plano de aulas o objetivo é propor atividades que contribuam para essas distinções, mas também que já avancem para uma percepção um pouco mais sofisticada, aquela que relaciona movimentos sociais e diferentes realidades geográficas, no caso voltado para a distinção entre urbano e rural. Mas, para se chegar a tal uma questão chave deverá ser trabalhada: a atualização da distinção do urbano e do rural, algo perfeitamente perceptível para uma criança.

Objetivos
- Trabalhar a distinção, de modo atualizado, entre realidades urbanas e realidades rurais, por intermédio da leitura da paisagem.

- Identificar e relacionar os movimentos sociais às realidades geográficas urbanas e rurais, visando uma exposição simples da complexidade que envolve essas duas realidades.

Espera-se como desdobramento desse plano de aula que as seguintes expectativas de aprendizagem sejam alcançadas:

- que os estudantes sejam capazes de distinguir as paisagens rurais das paisagens urbanas, notando que elas são manifestações visuais do espaço de realidades sociais que comportam modos de vida, relativamente diferentes (já foram mais diferentes);


- que adquiram noções sobre a existência de movimentos sociais e das relações existentes entre esses movimentos e os quadros de vida, que são também geográficos, que os abriga.

Conteúdos
- Paisagens rurais e paisagens urbanas
- Movimentos sociais
- Movimentos sociais nas diversas realidades geográficas

Anos
4º e 5º

Tempo estimado
3 aulas

Material necessário
Fotografias alusivas às paisagens rurais e às paisagens urbanas

Desenvolvimento das atividades
1ª aula O professor poderia iniciar trabalhando a construção de um quadro simples, mas que serve para introduzir, de forma ajustada, algum raciocínio conceitual na questão da distinção entre paisagens rurais e paisagens urbanas:

Elementos da paisagem

Rural

Urbana

1. Espaços naturais

+ _

_

2. Presença de Vegetação

+

_

3. Presença de Fauna (domesticada e silvestre)

+

_

4. Presença de gente

_

+

5. Presença de edificações

_

+

6. Presença de infra-estruturas (estradas, redes elétricas, escolas etc.)

+ _

+

A idéia é que o professor apresente o quadro vazio aos estudantes e que individualmente, ou em grupo ou ainda num diálogo aberto com questionamentos livres e problematizados com a classe o quadro vá sendo preenchido. Todos os elementos presentes no quadro têm expressão visual. Certamente essa lista pode ser aperfeiçoada com outros elementos. A sugestão é que não necessariamente o preenchimento se dê com sinais de mais e de menos. Os alunos podem preencher verbalmente, descrevendo como percebem. Se for preciso, caso os alunos demonstrem não ter tido experiência concreta com alguma dessas paisagens (provavelmente a rural), talvez seja adequado mostrar-se a eles fotografias das paisagens e pedir que olhem segundo os itens do quadro.

Com o quadro preenchido pode-se apresentar um segundo quadro que se refere a elementos que não têm necessariamente expressão visual, mas que ajudam a caracterizar as realidades sociais mais amplas presentes e representadas por essas paisagens. A idéia aqui é que eles consigam ir além do que a paisagem mostra, ou melhor, e principalmente, que por intermédio da paisagem eles consigam deduzir alguma do modo de vida, da cultura, das atividades econômicas ali desenvolvidas. A apresentação do quadro encerra essa aula, na próxima aula vai se desenvolver novamente uma dinâmica para o preenchimento.
 

Elementos da vida social

Rural

Urbana

1. Tipos de bens produzidos

_

+

2. Quantidade de bens produzidos

+

+

3. Número de profissões

_

+

4. Diversidade de tipos de pessoas

_

+

5. Diversidade de práticas culturais e de lazer

_

+

6. Local de moradia dos trabalhadores

Nas fazendas

Nas cidades

2ª aula Como o novo quadro a ser preenchido foi apresentado no final da aula anterior, é possível que os alunos tenham tido tempo para construir respostas. Não importa, deve-se chegar ao preenchimento e introduzir agora algumas questões:

Que indicativos há na paisagem rural que permite afirmar que há poucos tipos de atividades?
Que indicativos há que diga que a produção é grande?
Que indicativos há que diga que há poucas profissões?
Que indicativos há de que os trabalhadores moram nas fazendas?

O objetivo desses questionamentos é estimular a enxergar as relações existentes entre a expressão visual e os significados possíveis. Exemplo: vastos campos agrícolas que aparecem tomando quase toda a paisagem rural indicam uma atividade econômica muito dominante: a agricultura, algo que não poderá ser depreendido ao se observar uma paisagem urbana, que visualmente pode dar indicativo de múltiplas atividades. Por outro lado não é o mais importante que os estudantes acertem e sim que façam as relações. Caso façam essa fase da atividade atingiu seu pleno objetivo e contribui para algo bastante produtivo.

Depois dessa fase a sugestão agora é aproveitar as caracterizações e as relações feitas para introduzir uma pequena problematização que atualiza a clássica distinção entre campo e cidade. Não convém, porém, em nome da facilidade pedagógica criar estereótipos que separam o rural e o urbano de forma muito marcada. Talvez, tenha surgido nas caracterizações dúvidas a respeito do local onde moram os trabalhadores das duas realidades geográficas ou então sobre as práticas culturais e de lazer. Vale comentar com os estudantes esses dois exemplos.

O professor pode fazer alusão à presença nas zonas rurais de indústrias (pode mostrar fotos inclusive). É cada vez mais comum a presença do que chama agroindústria para a produção de álcool, de suco de laranja embalado e congelado, de “tortas” e óleo de soja etc. Os trabalhadores dessas indústrias têm várias profissões (engenheiros, operadores de máquinas, técnicos de informática etc.) e na maioria dos casos moram nas cidades e trabalham na zona rural. Se têm várias profissões logo não são todos agricultores. E isso já é algo mais parecido com a cidade. Trabalhadores do rural morando na cidade indicam uma mistura dessas duas realidades.

Os moradores do mundo rural desenvolvem atividades culturais típicas desse modo de vida: festas, música, brincadeiras e competições de destreza com animais etc. Mas é só isso? As coisas são assim atualmente? As pessoas da zona rural não vão às cidades com freqüência, não estudam nas cidades, não praticam lazeres urbanos, as ligações entre o campo e a cidade não bem mais intensas atualmente (mais meios de transporte, de comunicação etc.)? Esse não é mais um exemplo de mistura dessas duas realidades, que se mantêm as paisagens bem distintas, não é o mesmo com os modos de vida?

Esses comentários vão fazer sentido junto aos estudantes visto todo o trabalho anterior de identificação, de classificação e caracterização das paisagens rurais e urbanas, que serviram também para ver algo mais amplo cujos indicativos estão nessas paisagens. E vão servir de cenário para a conclusão da seqüência didática, com a terceira aula.

3ª aula O professor pode começar com o seguinte comentário: as populações que vivem as realidades rurais e as urbanas podem encontrar muitas dificuldades para conseguir seu sustento, educar seus filhos, cuidar da saúde, lugar de moradia etc. No Brasil existe um bom número de pessoas nessas condições e eles não estão conformados e ninguém, nem quem está bem, pode se conformar com isso. É nesse cenário que surgem os chamados movimentos sociais. Grupos de pessoas de uma região, de um espaço, de uma profissão se organizam para reivindicar junto às autoridades melhores condições para suas vidas. Em nosso país existem movimentos sociais nas zonas rurais e existem movimentos sociais nas cidades.

Algumas questões que o professor pode fazer (e dialogando com os estudantes promover a construção das respostas), podem agora encaminhar um levantamento que ajude os estudantes a identificar e classificar os movimentos sociais em associação com as realidades rurais e urbanas. Esses são procedimentos indispensáveis para se caminhar em direção à compreensão.

Quando se fala em movimentos sociais rurais está se referindo a movimentos de trabalhadores que moram no campo e não daqueles novos trabalhadores das agroindústrias, por exemplo, que moram nas cidades. E o que fazem esses que moram no campo? Os quadros construídos anteriormente fornecem a resposta. São agricultores. E que podem estar reivindicando? O que agricultores normalmente reivindicam, antes de tudo? Terra para plantar, antes de tudo. Não há agricultor sem terra, sem acesso à terra. Ou como empregado de alguém ou como proprietário ou ainda outras formas. No Brasil existe problemas diversos de acesso à terra para um segmento importante de trabalhadores que se organizam em movimentos. Só para ilustrar, vale mencionar que um deles chama-se Movimentos dos Sem Terra (MST), o que demonstra qual o principal motivo para a organização desse movimento.

E quando se fala em movimentos urbanos o que há de parecido? Alguma coisa, mas não muita coisa? As cidades são espaços bem mais complexos, com muito mais gente, mais diversidade de negócios, diversidade de interesses e os movimentos sociais podem ser organizar por muitos motivos diferentes, inclusive alguns relacionados à condição do espaço, à condições que podem ser notadas nas paisagens. Vários exemplos dessa modalidade de movimento social, relacionadas ao espaço, podem ser dados:

a) Movimento por moradias;
b) Movimento por moradias dignas (que envolvem pessoas que moram em favelas, figura marcante de nossas paisagens urbanas);
c) Movimento por transportes, visto que em geral eles não são bons em nossas cidades e as pessoas têm muitas dificuldades para se locomover;
d) Movimento por melhorias das condições ambientais do espaço, e essas podem ser bem visíveis na paisagem: rios poluídos, pequena arborização, derrubada de árvores, excesso de edificações etc.

Não são somente esses os movimentos sociais urbanos, mas eles ilustram bem uma característica forte dos movimentos diversos que podem surgir nesse tipo de espaço.
Para concluir essa seqüência vale mais um comentário que mostra como as realidades desses dois espaços (rural e urbano) se misturam. O comentário é o seguinte: o movimento social dos homens do campo reivindicando terras para trabalhar realiza várias ações, mas algumas delas se dão nas cidades. São manifestações, passeatas, atos públicos. Por que será? Se for preciso deve-se explicar ao estudante o que são esses atos públicos. Mas, voltando, por que nas cidades? O que há nas cidades que faz com que esses movimentos para elas se dirijam? Uma pista pode ser dada para que as reflexões das crianças encontrem uma referência para se apoiar: existe bastante gente para ver a manifestação, existem os governantes, a chamada opinião pública, a imprensa. Aqui o professor deve dar muitos exemplos, antes esperando o que vem por parte dos estudantes. A conclusão é a demonstração de novo da ligação que há entre esses dois mundos, que cada vez mais é o mesmo mundo.

Avaliação
Além da participação nas atividades propostas que servem para identificar distinções entre campo e cidade, mas também semelhanças e relações, algumas atividades complementares podem ser propostas e essas podem se constituir novas situações de avaliação. Pequenas pesquisas sobre movimentos sociais concretos da vida real em suas cidades e nas zonas rurais próximas podem ser exemplo. E/ou então expor os alunos a notícias ou pequenos textos referentes a movimentos sociais e pedir para que eles caracterizem esses movimentos segundo o que foi discutido nas diversas aulas: se são movimentos rurais ou urbanos, o que reivindicam etc.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
BRANDT, Vinicius Caldeira (1982) - “Da resistência aos movimentos sociais: A emergência das classes populares em São Paulo”, in Singer, P. e Brandt, V.C. (org.), São Paulo: O povo em movimento, Petrópolis, Vozes/CEBRAP.
Fernando Portela / Bernardo Mançano Fernandes. Reforma Agrária. São Paulo: Ática.
SADER, Eder, 1988. Quando novos personagens entraram em cena, São Paulo, Paz e Terra, 1988. 

 Quem não se comunica...

Bloco de conteúdo
Paisagem Local

Conteúdo
Comunicações e Tecnologia

Introdução
A comunicação consiste no ato de emitir, transmitir ou receber mensagens, seja por meio de sons, sinais, gestos ou por meio da linguagem oral e escrita. Para ser completa, é preciso haver um emissor, que produz e envia a mensagem, e um receptor, que recebe e decodifica essa mensagem, procurando apreender o seu conteúdo.

A importância da comunicação para a vida humana pode ser dimensionada por meio de um exercício simples: listar todos os momentos em que ela ocorre durante um dia inteiro na vida de uma pessoa. A lista pode ser incrivelmente longa, desde o primeiro “bom dia” até a hora de ir dormir. A comunicação se confunde com a vida de todos nós, e tem sido assim desde o princípio da aventura humana.

Vale lembrar que quem recebe a mensagem não é um ser passivo, que apenas absorve informações. Direta ou indiretamente, o receptor exerce influência sobre quem transmite a mensagem. Para ser compreendido, o emissor precisa saber em que condições sua mensagem será recebida. Isso vale também para meios de difusão de informações como o rádio e a TV: o ouvinte ou o telespectador não fala diretamente com o emissor, mas de alguma forma interfere na programação por meio de pesquisas de audiência. Com a internet, os sistemas interativos com o público tornam-se cada vez mais freqüentes.

A mensagem é formada por uma estrutura organizada de sinais que viajam entre o transmissor e o receptor. Esse caminho é percorrido com a ajuda de um meio ou suporte, que pode ser a fala, a escrita impressa em um papel, um sinal sonoro, uma placa, um mapa, uma transmissão de rádio.

Ao longo do tempo, os grupos humanos sempre buscaram meios para superar as distâncias espaciais e estabelecer interações sociais, levando cada vez mais longe as mensagens por meio de sinais sonoros, visuais ou escritos. Assim, a comunicação não existe separada da vida social. Não existe comunicação sem sociedade e vice-versa.

A escrita mostrou ser um modo eficiente de levar mensagens a longa distância. Dependendo do desenvolvimento técnico da sociedade e dos recursos disponíveis, as mensagens escritas puderam viajar de barco, veículos automotores, avião, ondas eletromagnéticas ou no lombo de um animal. No mundo contemporâneo já existem à disposição sofisticados meios de comunicação e informação, baseados no extraordinário desenvolvimento científico-tecnológico desse campo nas últimas décadas: telégrafo, correios, telefones fixos e móveis, rádio, TV, satélites artificiais, internet e outros. Alguns deles atingem milhões de pessoas simultaneamente, como é o caso da TV.

Esta seqüência didática propõe atividades que têm como objetivo permitir aos estudantes se aproximarem desses meios e saberem mais sobre sua estrutura e funcionamento. Visam também a possibilitar que exercitem livremente a elaboração e o envio de textos diversos, considerando os destinatários e os meios utilizados para circulação das mensagens.

Objetivos
- Reconhecer características internas e usos de diferentes meios de comunicação e informação disponíveis no mundo atual.
- Ler e produzir textos em diversos gêneros orais e escritos, como cartas, avisos, comunicados, bilhetes, depoimentos e outros.

Conteúdos específicos
Meios de comunicação e informação
Distância
Leitura e produção de textos

Ano
3º e 4º

Tempo estimado
3 aulas

Material necessário
- jornais, revistas e internet
- textos de apoio em anexo

Desenvolvimento das atividades
1ª aula Para uma sensibilização inicial, converse com os estudantes sobre quais meios de comunicação eles já utilizaram em seu dia a dia para enviar e receber mensagens. Procure saber mais sobre as situações que provocaram o ato de comunicação e se ocorreram em co-presença, como ir a pé até a casa de um amigo para dar um recado, ou utilizando meios de comunicação a distância, como cartas e bilhetes enviados ou recebidos pelo correio ou pelo correio eletrônico, ou ainda conversação em ambientes digitais. Ouça todos os depoimentos e destaque que as próximas aulas serão dedicadas a se aprofundar um pouco mais sobre o tema. A seguir, proponha que a turma se organize em pequenos grupos, encarregando cada um deles da elaboração de um painel com textos e imagens que apresentem meios de comunicação diversos, incluindo os de períodos históricos distintos. Eles poderão coletar imagens e textos em revistas, em jornais e na internet (veja as indicações abaixo), escrevendo o título e as legendas.

2ª aula Converse com a turma sobre os resultados da atividade da aula anterior, ressaltando que os meios de comunicação vêm passando por inovações tecnológicas de forma acelerada, mudando de forma significativa a velocidade e o volume das mensagens emitidas e recebidas entre diferentes pessoas, grupos e lugares. É importante destacar também, como lembra o filósofo Pierre Lévy, que uma carta ou um telefonema permitiu ao longo do tempo a comunicação a distância de um para um, enquanto o e-mail ou a sala de bate-papo na internet permite a comunicação em tempo real de muitos com muitos. De outro lado, vale a pena lembrar que, embora ocorra de fato a substituição de alguns meios e técnicas por outros, há uma coexistência entre meios de comunicação de diferentes tipos e “idades”: por exemplo, ter um telefone ou correio eletrônico à disposição não elimina o contato pessoal e direto. Evidentemente, tal como em outras esferas da vida social, há desigualdade de acesso a esses recursos, já que depende bastante do poder aquisitivo de indivíduos e famílias.

Por meio de pesquisas e com o seu apoio, os alunos poderão organizar uma cronologia com o advento de novas técnicas e meios de comunicação e o que essas inovações representaram para a vida social. Vejamos um exemplo: o rei de Portugal só soube do desembarque dos portugueses nas terras mais tarde chamadas de Brasil alguns meses depois que ele efetivamente ocorreu, no século XVI, com a carta de Pero Vaz de Caminha. Hoje, um evento qualquer pode ser conhecido por milhões de pessoas em tempo real em qualquer parte do mundo. Os alunos poderão pesquisar para saber mais também sobre a história postal de nosso país; a rapidez e eficiência dos correios brasileiros são reconhecidas internacionalmente (veja indicações abaixo).

3ª aula Com base no que foi visto nas aulas anteriores, proponha que cada aluno envie mensagens para amigos ou familiares. Em primeiro lugar, eles deverão escolher como será o texto: bilhete, carta, poema, adivinha, convite, desenhos, notícia, entre outros. A seguir, eles devem identificar claramente quem será o leitor da mensagem, o que gostariam de falar para a pessoa escolhida e de que modo o texto deve ser escrito (forma de tratamento, se o estilo de redação será mais ou menos informal, as informações que não podem faltar etc.). O passo seguinte é decidir sobre o meio que será utilizado para enviar a mensagem: pessoalmente, correio, e-mail, sala de conversação, fax, telegrama, por meio de um portador e outras possibilidades. Se o modo escolhido for o correio, eles deverão saber nome e endereço completo do receptor, incluindo o Código de Endereçamento Postal (CEP). No caso da internet, devem ter em mãos o endereço eletrônico do destinatário.
Agora é só esperar a resposta!

Avaliação
Faça um registro organizado das atividades que serão desenvolvidas pelas crianças, definindo previamente produtos e processos que serão objeto de avaliação. Observe com especial atenção a participação de cada aluno tanto nos trabalhos individuais como nos coletivos. Acompanhe a elaboração dos textos e solicite quando necessário a sua re-elaboração. É fundamental que seja feita uma roda de conversa ao final das atividades para ouvir dos alunos o que acharam das atividades, quais dificuldades sentiram e o que pode ser melhorado nas próximas oportunidades. Aproveite essas informações para aperfeiçoar o seu planejamento de aulas e projetos didáticos. Articulando as diferentes áreas do conhecimento, o tema das comunicações poderá ser ampliado em atividades como jogos, seleção e recorte de notícias de jornal, enquetes sobre a TV na vida das crianças e outros.

Anexos 
Textos de apoio ao professor

O telégrafo e o telefone
Na virada do século XIX para o XX, a aplicação da eletricidade à comunicação já não era nenhuma novidade. Não só as nações industrializadas tinham desenvolvido extensas redes telegráficas internas, como também já existiam sistemas internacionais viáveis. Desde os princípios do século XIX, uma série de experimentos e descobertas científicas propiciaram essa condição. Em 1809, o alemão Von Soemerring cria um telégrafo eletroquímico, servindo da pilha elétrica desenvolvida anos antes pelo físico italiano Alessandro Volta.Em 1827, Samuel Morse inventa o manipulador de telegrafia e um código que leva seu nome, com traços e pontos representando o alfabeto e outros sinais gráficos. As mensagens começaram a vencer as distâncias. O manipulador de Morse consistia na abertura e fechamento de um contato metálico, de modo a fazer fluir uma corrente elétrica. A partir dela, traçava-se pontos e traços em uma fita de papel, formando frases e palavras. Assim, o telégrafo demonstrava ser possível a transmissão de informações a longa distância, por meio de impulsos elétricos em fios condutores.

Em 1861, a primeira linha transcontinental ligava as costas leste e oeste dos EUA pelo telégrafo Morse. Já em 1874, instala-se o primeiro cabo telegráfico submarino ligando o Brasil à Europa, uma das tantas iniciativas pioneiras do Barão de Mauá. O princípio do telefone, por sua vez, é relativamente simples: se se produz ondas acústicas ao redor de um fino diafragma, este vibra em sintonia com elas. Estas vibrações podem traduzir-se em impulsos elétricos, os quais produzem vibrações correspondentes no diafragma de um receptor no outro extremo da linha. Nos primeiros telefones de Grahan Bell, as vibrações da voz provocavam variações elétricas em uma bobina enrolada em volta de um imã posto atrás do diafragma. Assim, surge a primeira central telefônica explorada comercialmente em 1878, em New Haven (EUA). Com o passar dos anos, surgem as primeiras centrais de comutação telefônica automáticas, substituindo os aparelhos com manivelas e ligações intermediadas por um operador. Com o tempo, separam-se também os fios condutores de telégrafo e telefone. O crescimento global da rede telefônica veio a crescer de forma notável na primeira metade do século XX. Só nos EUA haviam 17 milhões de aparelhos funcionando em 1934, aumentando para 32 milhões em 1947.

Fonte: WILLIAMS, Trevor. Historia de la tecnologia: desde 1900 hasta 1950 (II). 2. ed., v. 5. Madrid: Siglo Veintiuno, 1987, p. 436-445. Texto adaptado.


Brasil, território e telecomunicações
A revolução das telecomunicações, iniciada no Brasil nos anos 70, foi um dos marcos no processo de organização do território nacional (...) Do telégrafo ao telefone e ao telex, do fax e do computador ao satélite, à fibra ótica e à internet, o desenvolvimento das telecomunicações participou vigorosamente do jogo entre a separação física ou material das atividades e os comandos dessas atividades. (...) No território, cada substituição foi se dando quando a sociedade passava a exigir uma mudança técnica. Houve, desde tempos remotos, o sonho e a necessidade da comunicação à distância entre os homens.
Fonte: adaptado de Milton Santos e Maria L. Silveira. Brasil: território e sociedade no início do século XXI, 2001, p. 73. 

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
Cibercultura
, de Pierre Levy. Editora 34, 1999.
O Brasil: território e sociedade no início do século XXI, de Milton Santos e Maria Laura Silveira. Rio de Janeiro: Record, 2001

 

O lugar em que se vive

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Lugar

Conteúdo
Cotidiano

 

Conteúdo relacionado

Este projeto didático está ligado à seguinte reportagem de NOVA ESCOLA

 Objetivos
- Interpretar e comparar mapas, gráficos, dados sociais e textos históricos.
- Desenvolver a capacidade de observar e registrar informações sociais e ambientais.

Conteúdos específicos
- Representação e modificações na paisagem do bairro.
- O lugar e sua localização no espaço geográfico.
- Plantas e mapas de bairro: escalas e legendas.
- Gráficos, tabelas e dados espaciais.

Ano
6º e 7º anos

Tempo estimado
12 aulas

Material necessário
- livro de pesquisa;
- guia de ruas;
- mapa pictórico;
- fotografias antigas e recentes do bairro;
- cartolina branca;
- caneta hidrocor; e
- câmera fotográfica.

Desenvolvimento
1ª etapa Apresente o projeto, os materiais que serão usados e o resultado esperado. Pergunte o que a turma conhece sobre o bairro da escola. Mostre uma planta pictórica (um mapa sem legendas ou termos técnicos, mas com pontos de referência) e fotografias da região. Exponha com o retroprojetor frases de pessoas de outros povos e culturas que falem do seu “lugar”, o espaço em que vivem e realizam atividades cotidianas. Questione os alunos sobre sua rotina no lugar em que moram. Para apresentar o conceito de paisagem (extensão de território com elementos naturais e construídos), peça que os estudantes comparem imagens de diferentes bairros. Sugira que eles reúnam fotos antigas e atuais do bairro. Indique livros, sites e bancos de imagens.

2ª etapa Com as fotos reunidas, pergunte que elementos há nas imagens velhas e nas novas, qual a época e o lugar de cada cena e que mudanças são perceptíveis. Para desenvolver o conceito de planejamento urbano, proponha a comparação entre o mapa de um bairro com ocupação planejada e de um que foi ocupado informalmente. Acrescente dados socioambientais de atlas, livros e sites.

3ª etapa Proponha que fotografem a região. Construa com eles um pré-roteiro dos locais retratados e elabore uma pauta de entrevistas com moradores sobre sua relação com o lugar.

Produto final
Exposição fotográfica. A mostra deve contar a história do bairro, dificuldades e alegrias dos moradores e sua percepção do lugar. Peça que as turmas escrevam legendas explicativas sob as imagens coladas em papel kraft ou cartolina.

Avaliação
Registre o aprendizado de cada aluno – se usam legendas, se compreendem a planta como a visão vertical de uma área, como interpretam imagens, se adotam o repertório geográfico. Organize momentos coletivos de discussão após as aulas.

 Horizontes do solo

Bloco de conteúdo
Paisagem

Conteúdo
Paisagem e Ambiente

Objetivos
- Compreender o processo de formação dos solos.
- Interpretar um perfil de solo.
- Analisar como a ação social modifica as características do solo.

Conteúdos
- Formação de solos.
- Técnicas de descrição e caracterização de solos.
- Aproveitamento econômico e desequilíbrios no uso do solo.

Anos
6º e 7º.

Tempo estimado
Seis aulas.

Material necessário
Cadernos e canetas para registro, lupas, trenas e sacos plásticos.

Desenvolvimento

1ª ETAPA Em sala de aula, apresente os conceitos principais sobre horizontes do solo. Para incentivar a discussão e a leitura, leve materiais previamente pesquisados com cópias para todos os alunos. Privilegie o uso de imagens e mapas, recursos importantes para a compreensão deste conteúdo.

2ª ETAPA É hora de ir a campo. Explique que o objetivo principal do trabalho é comparar as informações dos livros com o que se encontra na realidade. Organize uma pauta de observação para analisar cada horizonte, orientando os alunos a registrar as observações com desenhos e anotações. A atividade será composta de quatro etapas: desenho com identificação de cores, medida e análise tátil. Uma possibilidade de encaminhamento é a seguinte:

- Divida a turma em grupos, propondo que desenhem os perfis que têm à frente e detalhem as cores dos diferentes horizontes.

- Com ajuda de trenas, peça que meçam a altura de cada camada e anotem na caderneta de campo.

- Com pequenas amostras de solo de cada perfil, oriente-os a analisar a textura do solo. Para isso, devem esfregar o material úmido na mão para distinguir entre a quantidade de elementos grosseiros (areias) e finos (argilas), empregando uma classificação conforme a quantidade de cada componente: horizonte arenoso, areno-argiloso, argilo-arenoso e argiloso.

3ª ETAPA Oriente a elaboração de um relatório sobre o que foi visto em campo. Cada horizonte deve conter informações sobre espessura, cor e granulometria.

Avaliação
Com base na análise dos registros do trabalho de campo (desenhos, anotações e tabelas), observe o entendimento dos conceitos estudados. Verifique se as eventuais diferenças entre os livros e a área examinada foram relacionadas pela turma à ação humana. Se houver dúvidas, peça que pesquisem a noção de processo para explicar as transformações.